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sexta-feira, 5 de junho de 2020

Uma Cabeça Cheia de Sonhos

The Butterfly Package - Kristjana S Willimas  
Eu nunca tinha ido a um grande evento, muito menos sem algum familiar ou conhecido próximo junto. No início do ano de 2016 foi anunciado vendas do show da banda Coldplay no Brasil que seria no ano seguinte. Na época não consegui os ingressos. Até que foi anunciada nova turnê para 2018, e lá fui eu madrugar na fila de espera no site de vendas de ingressos... não consegui na primeira. Liberaram show extra, entrei na fila pelo site e... nada!

Me inscrevi em tudo quanto foi concurso de rádio para concorrer aos ingressos. Nada. Quando já tinha desistido, e bem pertinho da data do show, de repente, vi nas redes sociais ingressos extras! Lembro como hoje minha alegria misturada com o desespero de estar no meio da rua, sem sinal decente de internet, sem cartão de crédito!

Meu primeiro impulso foi chamar meu irmão no Whats App e pedir socorro: “compra para mim!!!” Ele deve ter demorado poucos minutos para visualizar, mas para mim foi uma eternidade. Apavorada, acionei outro amigo do trabalho: “compra para mim!!!” Gentil, meu amigo logo se prontificou, me passou os dados do seu cartão (own!), deu recusa! Ai meu Deus! Ele ligou na central do cartão, tinha dado bloqueio preventivo, resolvido o problema do cartão, tudo certo, consegui!

Logo depois, meu irmão também me mandou o ingresso... e lá estava eu com dois ingressos nas mãos! “Vou à falência” – pensei. Vou à falência feliz. Procurei alguém para vender um dos ingressos. E não foi difícil, poxa vida era um ingresso para o show do Coldplay! Arrumei um outro conhecido do trabalho e de quebra ganhei companhia. E foi sensacional! Fiquei com vontade de chorar, mas não caiu uma lágrima, estava em shock. O local na arquibancada era muito bom e protegia da chuva. Foi uma experiência INCRÍVEL.

E por que resolvi postar isso aqui tanto tempo depois? Como foi que eu deixei passar isso? Onde eu estava esse tempo todo? É claro que eu passei por aqui e pelo meu outro blog Diário Fragmentado para escrever algumas coisas, mas eu estava num ritmo bem diferente do que eu me conhecia do passado. Eu era uma menina com a cabeça cheia de sonhos, igual a música título da turnê.

Eu realmente sonhava muito e lembrava de todos os meus sonhos malucos, minha memória era boa para gravar detalhes dos sonhos noturnos. Só não gostava de lembrar dos pesadelos, para estes tinha uma técnica que minha mãe dizia: “quando tiver pesadelo, assim que acordar passa a mão na cabeça que esquece”. Era tiro e queda, sei lá se tinha algum fundamento, mas funcionava. Eu era uma menina intensa e criativa.

Outro dia eu fiz diferente. Lembrei de um pesadelo. Fazia muito tempo que eu não lembrava de sonho nenhum, e o primeiro que eu lembrei foi um pesadelo, não quis fazer descaso, anotei ele. Seja lá para qual finalidade, fiquei contente por ter voltado a ouvir o que fala meu inconsciente. E estou feliz por ter me reconectado com a menina da cabeça cheia de sonhos. Por isso tenho vindo aqui escrever quase todos os dias. Alguma coisa me deu gatilho. E não vou perder a oportunidade.


É como diz música A Head Full Of Dreams:


Oh, eu acho que aterrissei

Em um mundo que eu nunca tinha visto

Em que me sinto uma pessoa comum,

Em que não sei o que significo,


Oh, eu acho que aterrissei

Onde milagres estão acontecendo,

Pela sede e pela fome,

Venha para o união dos sem valor!*


E digo que isto é verdade

Nada é o que parece.

Deixe aberta as suas janelas quebradas

E a luz adentra lentamente


E você terá uma cabeça cheia,

Uma cabeça cheia de sonhos!

Você pode ver a mudança que deseja,

Seja o que você quer ser!


E você terá uma cabeça cheia,

Uma cabeça cheia de sonhos!

É uma risada que acabou de ser dada

Com a cabeça cheia! Uma cabeça cheia de sonhos!


Oh, acho que aterrissei

Onde os milagres estão acontecendo

Agora você me tem de braços abertos,

Agora você me deixou sem palavras


Eu canto oooh

Oooh

Oooh ooh

Oooh ooh


Eu canto oooh

Oooh

Oooh ooh

Oooh ooh


Oooh

Oooh

Oooh ooh

Oooh ooh


Uma cabeça cheia de sonhos


Oooh

Oooh

Oooh ooh


Acabei de acordar para a vida

Com uma cabeça cheia,

Uma cabeça cheia de sonhos



*Conference of birds é uma expressão idiomática, onde the birds equivale a “sem valor” ou “nada interessante “.


terça-feira, 26 de maio de 2020

Uma Palavra



Numa conversa totalmente inusitada, embora esperada, alguém me fez uma provocação: “defina-se em uma palavra”, disse. Ah, essa é fácil, pensei. Pergunta clichê! Para meu espanto fui tomada por um terrível branco, um vácuo existencial, e não encontrei nenhuma resposta! Como assim? Logo eu, consumidora voraz no passado de livros de Auto Ajuda (mentira, eu só lia o que chegava em minhas mãos, é que chegavam muitos!)? Logo eu que já tive três psicoterapeutas – que pelo que me lembre nunca me fizeram essa pergunta? Logo eu que ensaiei tantas vezes respostas para perguntas tipo “cite uma qualidade ou pontos a melhorar” para processos seletivos internos? Logo eu?

Horas depois da conversa terminada, o vácuo continuava. Nem uma mísera palavra para definir a mim que brincava com as palavras desde muito jovem. Ora, ora palavras vocês não foram legais comigo! Muito depois surgiram várias possibilidades: criativa, teimosa, chata..., mas elas não me pareceram a definição, eram apenas características acessórias. Qual seria então a palavra?

Resolvi ir à fonte, lá nas minhas poesias, que comecei a escrever aos 13 anos, e vim lapidando até por volta dos vinte e poucos anos, até nascer este blog, e poesia virar artigo démodé. Virei bloguerinha e abandonei minhas poesias... não foi uma boa ideia, mas tinha perdido minha inspiração. Procurei pela palavra mais repetida, e achei sonho:



Todos os sonhos que sonhei,

No louco abrigo do meu mundo,

Tantos amores que criei,

Imagens sem plano de fundo,



Nada mais vale ante o real,

Sonho mais belo ao horizonte...

Que nada traz do vão ideal,

Porém carrega luz de instantes,



Iluminando-me à sacada,

Como um sorriso que me acolhe,

Onde eu sonhava só e acordada;



Temo, e outra vez mais sempre vale,

Renunciar a era sonhada

Pelo momento que se escolhe.



Sonhadora. É a palavra perfeita! Ela serve para definir quem eu fui lá atrás quando escrevi essa poesia, serve para hoje, e certamente servirá para amanhã, a menos que algo muito inesperado me roube os sonhos! Sonho acordada (muito), dormindo, e tenho aqueles sonhos que nessa conversa revelei pelo menos um deles, que na verdade é um combo, um leva ao outro. Confesso que tenho medo de que esse sonho esteja prestes a ser roubado pelo tempo e pela biologia. 

Foi uma conversa curiosa e deliciosa, onde o resultado saiu fora de qualquer plano, ou expectativa. E a intenção estava mais fora do contexto ainda! Pelo menos eu acho. Desse dia, fica a lição: cuidado para quem você pede ajuda. Você pode conseguir, até mais do que você pediu, e aí não vai ter mais desculpa para continuar carregando velhos problemas!