domingo, 8 de abril de 2018

Escolhas



Certa vez, estava com um amigo meu num lugar e pedimos um suco para cada um, de sabores diferentes. Ao provar, percebi que o meu suco não estava a meu gosto, quando meu amigo subitamente trocou os copos e me cedeu o dele que tinha provado e estava mais gostoso. Minha reação foi de recusa. Peguei o meu suco de volta e disse: "Tenho que assumir as consequências das minhas escolhas". Esse meu amigo agiu assim outra vez, em outro lugar, trocando os sucos.

Num primeiro momento podemos parecer gentis ao estimular alguém a substituir por algo melhor o que não está bom, quando nos sacrificamos e assumimos o ruim. Adultos e crianças, ninguém mais quer sofrer as consequências de nada; ninguém quer consertar o que quebra, apenas jogam fora e compram outro novo. Crianças não podem reclamar da comida que os pais vão lá e colocam no prato o que elas querem, muitas vezes sem condições de variar o menu tanto quanto varia as "vontades" dos filhos. No fundo a mensagem que passamos é que tudo é substituível desde que o que está diante de nós não nos agrade.

Acontece que para mim, no caso do suco, embora eu não tenha refletido muito na hora, melhor que um suco mais saboroso, era mostrar que, assim como meu amigo não se importava em ficar com o suco ruim em meu lugar, eu também não me importava em levar minha escolha adiante mesmo quando a coisa não estava boa. Lembro de ter dito a ele que não fizesse o mesmo quando tivesse filhos, pois estaria criando monstros que não saberiam viver num mundo que não trocaria a vida deles por uma melhor quando quisessem.

Muitas pessoas tratam as relações como copos de sucos que não estão a contento: trocam ou simplesmente jogam fora quando não há outro melhor por perto. Se esquecem que pessoas não são frutas que se espreme o caldo e lança o bagaço no lixo. Pessoas têm sentimentos, amam, se apaixonam, choram, sofrem. São seres humanos e não objetos. O que não está bom numa relação pode ser mudado com esforço de ambos, não precisa ser descartado.

domingo, 10 de dezembro de 2017

ETEC - Trampolim de uma nova história



Nos últimos seis anos posso dizer que passei a comemorar meu nascimento em dois meses diferentes: Janeiro, que é o mês do meu aniversário, e Junho, que foi a data que iniciei meus estudos na segunda turma de ADM da recém inaugurada ETEC de Francisco Morato.

Quem me conhece já sabe da minha longa temporada isolada do mundo após ter terminado o ensino médio. Mas hoje quero contar um pouco sobre um momento que marcou o nascimento de uma nova Camila.

Um belo dia, lá estava eu em casa, como sempre, e meu amigo da vida toda Adilson, passou lá para me visitar. Não me lembro se tinha um motivo específico, acho que o barato foi isso, aparentemente não tinha razão especial nenhuma que o levasse até lá, mas ele foi. E foi ele quem me contou que o governo do Estado tinha construído uma ETEC na cidade, e perguntou por que eu não tentava me matricular. Realmente, a escola tinha na ocasião menos de seis meses de vida e as matrículas para a turma que iniciaria no segundo semestre do ano estavam abertas. Detalhe: era o último dia de inscrição. 

Não dava para pensar muito. E eu pensando muito acabaria desistindo da oportunidade. Liguei o computador e me inscrevi. Descobri que tinha uma taxa para pagar... Ferrou! Eu não trabalhava! Recorri a meu irmão que gentilmente colaborou com o pagamento, e por guardar meus planos em segredo até que eu fizesse o vestibulinho e passasse. Se eu não passasse o assunto morreria ali sem ninguém entrar em desespero.

Então eu fiz a prova, coloquei minha prima na roda. Ela topou. Entramos juntas em Junho de 2010 na ETEC. Éramos respectivamente a 9 e a 10 na chamada! Nem sei como eu consegui tanto apoio em pouco tempo, só Deus explica. E há quem duvide Dele!

O Centro Paula Souza (incluo todas as ETEC's e FATEC'S) é um coração que pulsa numa sintonia fora do comum. Ou pelo menos era naquele tempo. Professores, quase todos, de uma competência ímpar. Verdadeiros mestres, pessoas encantadoras. Qualidade de ensino de deixar muitas uniesquinas que se dizem dez no chinelo! 

E não bastasse o ensino, as pessoas que conheci lá, marcaram para sempre minha história. A pessoa mais especial que eu conheci lá fui eu. Sim, eu mesma. A Camila adulta que eu desconhecia. A turma era mista, tinha os da minha idade, os mais velhos e os mais novos, mas não tinha crise, na hora de reunir para a finalidade do curso cada um mostrava a que veio e convenhamos: galerinha boa! E eu estranhamente consegui algo inédito na minha vida, me dar bem com todos, de todas as faixas etárias, alunos, professores, até a galera de "Info", que tentou trazer a rivalidade que existia entre ADM x INFO de Franco da Rocha, mas para mim tava tudo junto e misturado trago amigos infos até hoje!

Não tinha espaço para baixa autoestima. Até a zoação era saudável. Transitava entre todos os grupos, embora tivesse o meu próprio grupo no início, que foi se desfazendo por que o pessoal foi desistindo a cada semestre. Mas desistir não era opção para mim. Nem passou pela minha cabeça. Eu simplesmente estava amando a experiência e me surpreendendo com meu potencial.

Depois da ETEC eu comecei a trabalhar, fiz um pequeno estágio na prefeitura, depois entrei na Fidelity, que é outra escola para quem sabe dar valor. Fiz a faculdade, me formei. Fiz outro curso na FGV que aliás foi outra turma linda que conheci. Fui promovida na empresa. Fiz uma especialização on line em Análise de Processos que, sim é a minha área embora há quem diga que não. E tudo isso em seis anos!

E falo que muito da profissional que eu sou eu devo aos meus professores da ETEC e aos meus colegas que pude ter a alegria de reencontrar depois de tanto tempo! Embora existam aqueles a quem sou mais chegada que outros, sinto um carinho profundo por todos. E agradeço imensamente a Deus por tudo. Eu não precioso entender Deus para crer. E Ele não precisa ser entendido para tocar nossas vidas e nossos corações.

Veja também Banda Impacto na ETEC

domingo, 23 de julho de 2017

Minhas Top Voices do Rock - Chester Bennington




* 20 - 03 - 1976 † 20 - 07 - 2017


No mês de abril deste ano listei num post quais eram os meus seis vocalistas de Rock prediletos, e entre eles estava Chester Bennington, do Linkin Park (ver aqui). Jamais imaginaria que três meses depois o mundo perderia Chester e com ele uma das vozes mais sensacionais do estilo, potente, afinada e doce ao mesmo tempo.

Não me recordo exatamente quando começou minha história com a banda, talvez ouvindo as músicas que meu irmão tocava. Lembro que em dezembro 2012 tomei conhecimento de duas músicas que não faziam parte das Playlists das rádios: My December (2002) e The Messenger (2010), as quais me foram passadas por uma pessoa que estava fazendo treinamento comigo na empresa que ainda trabalho agora; duas canções que seguem comigo até hoje. Também tenho no meu computador coletâneas da banda desde 2000, BBC, ao vivo em Nottingham, Texas, e outros.

Não sou daquelas fanáticas por artista nenhum, mas quando eu admiro alguém eu abro um espacinho todo especial no meu coração. Por isso mesmo quando soube pela internet da notícia da morte de Bennington tomei um choque, meus olhos lacrimejaram e fiquei feito boba repetindo suas músicas no meu celular.

Como eu não domino inglês, fui revisitar as letras das canções de Chester e quão assustada fiquei ao perceber que todas elas, quase sem exceção, eram verdadeiros gritos de desespero, de uma pessoa sufocada pela depressão, engolida por seus medos e sofrimentos:


Estou cansado de ser o que você quer que eu seja
Me sentindo tão sem fé, perdido sob a superfície
Não sei o que você está esperando de mim 
Colocado sob pressão 
De andar com seus sapatos 
 Numb 

Eu tentei tanto e cheguei tão longe 
Mas no fim, isso não tem mais importância 
Eu tive que cair, que perder tudo 
Mas no fim isso não tem mais importância
In the End

Rastejando dentro da minha pele 
Estas feridas, eles não curarão
Medo é o que me derruba 
Confundindo o que é real  
Crawling

O que eu fiz 
Eu vou me encarar 
Para eliminar o que eu me tornei 
Me apagar 
e deixo ir o que eu fiz  
What I've Done

Eu quero me curar, eu quero sentir 
O que eu nunca achei que fosse real
Quero me livrar da dor que eu senti durante tanto tempo 
(apagar toda a dor até que ela se acabe) 
Eu quero me curar, eu quero sentir 
Como se estivesse perto de algo real 
Eu quero encontrar algo que sempre quis 
Lugar ao qual eu pertenço  
Somewhere I Belong

Tudo fica tão mais triste quando o grito de socorro foi dado e tantos ouviram mas ninguém realmente escutou...

Minha esperança é que no seu último segundo ele tenha percebido que o amor de Deus é o único que sempre está acessível enquanto estamos em vida, e que tenha crido mesmo sem conseguir se livrar da corda em seu pescoço.