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sábado, 11 de março de 2017

Logan

 
Eu estou pegando carona no post do meu irmão no Blog do Rodman. Ninguém melhor que ele para sintetizar os detalhes desse filme que é simplesmente o melhor filme de heróis que já assisti! A coisa era tão séria que meu preferido ainda era o mela cuecas do Demolidor vivido pelo Ben Afleck. O mais odiado era Superman o Retorno, embora todos os outros não cheiravam nem fediam. Se quiserem leiam o post EU VI: LOGAN e depois voltem aqui!

Ao contrário do que acontece com outros personagens de quadrinhos, no caso do Logan tenho uma séria dificuldade de separar os enredos do Gibi, desenho e filmes. Assim com a voz do dublador Isaac Bardavid combina muito mais com o Hugh Jackman do que sua própria voz, por ser a primeira referência de voz para o Logan do desenho. Mas vou me ater a esse último filme, e, por favor, espero que não inventem outro ator para o Wolverine! Já basta a ridícula encenação de Tom Holland como Homem Aranha após a perfeita encarnação de Peter Parker por Tobey Maguire. 


Na minha versão menina, tenho que dizer: mulherada os brutos também amam! Christian Grey é o caramba! Já que o assunto é ignorância e brutalidade Logan é o cara! Está certo que tal qual a Glória Pires no Oscar não posso opinar por todos os filmes do Wolverine, pois fora os da saga X-Men, in solo só assisti o X-Men Origens, mas não me recordo que no auge do seu temperamento peculiar Logan tenha levantado a mão para uma mulher. Ao contrário, é o X-Men homem mais sensível de todos. 


Nesse filme apesar de voar sangue para todos os lados em grande parte das cenas, destaque total para os momentos de ternura: de Logan com o velho Xavier, do seu jeito torto protegendo o mentor de si mesmo e fazendo o que podia para conseguir os remédios para controlar as suas crises. Cenas simples de um homenzarrão colocando seu velho amigo cadeirante na cama, suas conversas “carinhosas” (quem assistiu sabe o porquê das aspas). Também teve o momento do Caliban bancando o ombro amigo perguntando se Logan não queria conversar sobre os motivos das suas insônias e sobre o prenúncio de Charles de que existiam mais mutantes por perto. Até suas cenas sozinho, viciado em bebida e em sua amargura, tem um toque de ternura e sentimento.


E depois que a garotinha Laura entrou em cena, aí pronto: Logan passa a ser o bom amigo, o bom filho e o bom pai, aí acaba com os corações femininos! Tudo bem que sua primeira atitude em relação à Laura foi deixá-la para trás enquanto uma multidão de carniceiros invadiam o terreno onde ele se alojava com Caliban e Xavier. Mas a tal filha sai de dentro do ambiente com a cabeça de um deles na mão. Logan tenta de toda forma não se apegar quando todos nós por trás da telona já sabíamos que ele não conseguiria pelo seu histórico de bom moço. A pequena Laura nasceu cuspida e escarrada com a forma do Wolverine, bruta, rústica, violenta e imensamente carinhosa e amorosa. Defensora leal dos seus entes queridos, corajosa. Como não se apaixonar por ela?

Sinceramente, agradeço a epifania que roteiristas e diretores tiveram ao construir a trama de Logan. Hugh Jackman (Ah o Hugh Jackman!), mesmo com o envelhecimento cenográfico fechou com chave de ouro sua interpretação do héroi, assim como Patrick Stewart na pele de Xavier (Maldito X-24 que interrompeu uma das cenas mais cuti cuti do filme!). Eu vivi pra ver! Quem ainda não viu, veja!


#GarrasDeAdamantiumMeAcudam!
#EuAmoWolverine!

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Top 5 da Sessão da Tarde




Não existia coisa melhor na minha juventude que chegar da escola e assistir meus filmes preferidos na Sessão da Tarde. E não importava se fosse a trigésima vez que eu os assistia, eu sempre me emocionava com as histórias. Todos os temas são tão eu, mexe tanto com o que eu tenho de mais íntimo e sei lá por que tanto me comove. Eu poderia apontar uns vinte filmes, mas hoje resolvi listar os cinco mais “cuti cuti” do horário:

1 - Nunca Fui Beijada






Um filme de 1999 é uma comédia romântica protagonizada pela gracinha Drew Barrymore (Josie Geller) e pelo lindíssimo Michael Vartan (Sam Coulson). O romance conta a história de Josie, uma jornalista em busca de uma grande reportagem para alavancar a sua carreira; escolhe como tema a vida dos adolescentes.

Para isso a repórter com seu rostinho angelical se faz passar por uma jovem estudante do ensino médio, e se enturma com a galera da escola. Josie acaba vivendo tudo que não viveu na sua adolescência, que foi ser popular e querida pelo grupinho mais destacado da escola. Quando conhece uma jovem “nerd” que muito mais se assemelhava a ela na escola, e percebe que sua turminha descolada agia com bullying para com a moça, Josie acaba criando um atrito com a turma. No entanto o ápice da história é a relação de Josie com o professor Sam Coulson.

Inteligente, como uma boa jornalista que era, o professor se encanta pela “jovem” Josie Geler, o que causa uma grande confusão nos sentimentos de ambos, pois ela não podia sair da personagem pois não tinha conseguido a sua grande matéria, e como aluna de Sam um romance entre os dois causaria muita polêmica. O jornal quando descobre a paixão de Josie pelo professor tenta convence-la a tornar este tema a sua reportagem. Mesmo não aceitando, a verdade acaba chegando aos ouvidos do professor que extremamente decepcionado pensa que ela só estava se aproveitando dele para escrever uma polêmica notícia para o jornal.

Quando então Josie revela na redação que Sam era sua grande chance de ser beijada, pois aos 25 anos Josie nunca tivera um namorado. É quando ela decide postar essa notícia, pedindo perdão e um beijo para o professor em pleno estádio de futebol onde seu irmão Rob (David Arquette) iria jogar. A mídia daria destaque para o atleta e ainda testemunharia o primeiro beijo da repórter. O professor que estava de mudança quase usa o jornal para embrulhar suas coisas, e não vê o pedido. Porém quase próximo a hora marcada ele chega e a beija! E a garota que vos fala chorar feito uma boba! 




2 - As Patricinhas de Beverly Hills




Filme de 1995 estrelado por Alicia Silverstone, a fofa Cher protagonista. Uma menina meiga, inteligente, rica, linda e extremamente fútil, vive com seu pai e o meio irmão, que na verdade não tem nenhum parentesco real com ela Josh (o absoluto Paul Rudd). 

Acompanhada pela amiga Dionne, Cher é a garota mais popular e invejada da escola. Com o tempo elas se aproximam da desajeitada Tai e dão um banho de loja e bons modos na garota que passa a fazer parte do time das populares.

O convívio entre Josh e Cher era bem amigável, e ao mesmo tempo ambos pareciam não se entender pois ele era extremamente certinho e Cher dava um jeitinho em tudo, até tentava negociar as notas do seu boletim, tentando arrumar um romance entre os professores! Josh e Cher brincam, trocam farpas, mas se respeitam e se gostam.

Com o tempo Cher começa a perceber uma mudança em si mesmo e se motiva a fazer boas obras a sua maneira, porém suas amigas, principalmente Tai começa a se voltar contra ela, onde Cher diz que criou um monstro. A loira passa também a olhar com outros olhos para Josh ao se ver enciumada ao vê-lo com outra garota. E aí entra a minha torcida pelo casal, mesmo na vigésima quinta vez, como se eu não soubesse o final. Final feliz, o casal mais fofo da seção da tarde!



3 – De volta a Lagoa Azul




Quem nunca ouviu falar nesse filme? É um dos filmes mais puros que já existiu, apesar das cenas de nudez e sexo, é algo tão natural, e foi escrito e filmado de uma forma tão delicada que é o recorde do horário, não escandaliza nenhum puritano. Particularmente prefiro a segunda versão de 1991 estrelada por Milla Jovovich (Lilli) e Brian Krause (Richard). Embora o primeiro filme tenha o mesmo encanto (de 1980 estrelado por Brooke Shields – Emmeline - e Christopher Atkins - Richard Lestrange).



Richard é o filho dos náufragos Emmeline e Richard Lestrange do primeiro filme. O casal é encontrado morto numa canoa com o pequeno bebê. Uma viúva que viajava num veleiro com sua filha Lilli decide acolher o garoto, que por chamar o nome do pai acaba recebendo o mesmo nome.

Após um surto de cólera no veleiro, a viúva e as duas crianças vão parar na ilha da Lagoa Azul, após ela ter matado um marinheiro que queria matar o garoto para economizar água. A mãe de Lilli acaba morrendo de gripe e as duas crianças crescem juntas, após algumas breves aulas de civilidade que a mulher lhes deu enquanto viva. Aí os dois crescem e descobrem as alegrias da juventude e os prazeres da sexualidade.

Num certo dia um navio aparece na ilha em busca de água e a tripulação encontra o casal Richard e Lilli, um misto de selvagens e civilizados. Richard se encanta com a jovem filha do capitão, coberta por roupas delicadas e limpas. E um dos marinheiros se interessa por Lilli e uma pérola que a jovem levava no cabelo, até que um dia ele a ataca, rouba a pérola e tenta estuprá-la. Richard vem em defesa da “esposa” e ambos retomam o relacionamento abalado.

Quando a embarcação parte de volta à cidade, Lilli descobre que está grávida e os dois decidem ficar por ali e criar seu filho.



4 – Meu Primeiro Amor 2 (My Girl 2)



De 1994 o filme conta uma nova história da pequena Vada, em continuação do filme de mesmo nome de 1991, onde a princesinha Anna Chlumsky contracenou com Macaulay Culkin (Thomas J). Nessa segunda versão, Vada procura informações sobre a história de sua mãe Maggie Muldovan (Angeline Ball) para uma redação solicitada por seu professor onde o tema era contar a história de alguém que admira e não conhece, Maggie morrera durante o parto.

Instalada na casa do tio Phil (Richard Masur) Vada conhece a namorada de Phil e seu filho Nick (Austin O'Brien). O garoto se torna a melhor companhia para Vada ajudando-a na sua missão de desvendar os mistérios da sua mãe. No começo ela não gostava muito dele, mas depois criam uma afinidade.

Vada descobre que sua mãe gostava de cantar, e uma das cenas mais belas do filme é quando ela assiste um filme onde um ex de sua mãe mostra Maggie cantando a música “Smile”. Vada fica muito abalada emocionalmente com as descobertas, que a leva até a duvidar que Harry (
Dan Aykroyd) fosse seu pai biológico. 

Depois de superado o susto e feliz por enfim conhecer a mãe, Vada já as boas com o jovem Nick acaba dando-lhe um beijo muito delicado, embora com menos sentimento que o selinho que ela deu em Thomas no primeiro filme.




5 – Crosroads – Amigas para Sempre




De 2002 o filme é lançado no auge da carreira da loirinha Britney Spears, ainda vivendo sua fase Lolita, é um filme simples, com algumas temáticas interessantes e que eu curti muito.

O enredo conta a história de Luci (Britney Spears), Kit (Zoë Saldaña) e Mimi (Taryn Manning) três amigas de infância, que depois de 8 anos afastadas se reencontram e decidem fazer uma viagem pelo país sozinhas, para experimentar novas experiências.

Com pouco dinheiro e mentes sonhadoras, Mimi convida Ben (Anson Mount) um amigo para dar uma carona a elas na jornada. (E o que são os olhos azuis de Anson?) O jovem misterioso acompanha as garotas na viagem e se encanta por Luci.

O filme fala sobre virgindade, gravidez na adolescência, filhas criadas pelo pai (O pai de Luci é interpretado por Dan Aykroyd, o mesmo ator que interpreta o pai de Vada em Meu Primeiro Amor). Fala do perigo que as mulheres sofrem ao andarem sozinhas nesse mundo, pois ao cantarem num bar para conseguir dinheiro para continuar a viagem as meninas são atacadas por sedutores baratos, onde Ben intervém para protegê-las.

Mesmo com todo o seu mistério, Ben é um compositor que ajuda Luci a compor uma de suas músicas, no filme. A canção tema é uma das mais lindas música de Britney “I'm Not a Girl, Not Yet a Woman”. E os dois também vivem uma história de amor, também filmada de uma forma muito delicada, embora não tão pura quanto a de Lagoa Azul pelas circunstâncias banais em que ocorre.



"(Eu não sou uma garota) não me diga no que acreditar;
(Nem uma mulher) eu estou tentando achar a mulher em mim;
(Tudo que preciso é tempo) ah, tudo o que preciso
(Um momento que seja só meu) que seja só meu
Enquanto ele não chegar
Não sou uma garota, e ainda não sou uma mulher"



domingo, 17 de julho de 2016

Procurando Dory




“Oi eu sou a Dory, eu sofro de perda de memória recente, pode me ajudar?”

Esta frase é bastante familiar, não somente pelo filme Procurando Nemo. Foi a frase que me identificou com a pequena Dory desde o início, e a personagem foi tão marcante, e pelo visto não só para mim, que mereceu um filme só dela!

Sempre que se conta a história de um personagem com problemas, não por acaso é necessário contar a história desde a infância para explicar. Em Procurando Nemo, o peixinho já era uma criança, e seu pai era um dos protagonistas da trama. Mas da Dory nada sabíamos. Por isso mesmo seu filme começa com a sua infância, com seus pais preocupados em ensinar a pequena a se defender no oceano com o seu problema de perda de memória recente.

Charlie e Jenny, os pais de Dory me pareceram um pouco mais sensatos que Marlin, o pai do Nemo. Eles sabiam que não poderiam prender Dory consigo por muito tempo, embora pudesse ser a vontade deles. Eles a protegiam da correnteza, dos outros peixes, mas ao mesmo tempo treinavam carinhosamente a pequena para saber pedir ajuda e a voltar pra casa. Afinal nem sempre eles estariam com ela. 




O enredo do filme começa trazendo a convivência de Dory, Marlin e Nemo, bem como seus amigos do oceano. Até que Dory percebe que deveria ter uma família e que provavelmente tinha se esquecido dela. Então decide ir procura-los, com o apoio de Nemo. Marlin, por sua vez, não apoia, acha mais cômodo se preservar ali onde estava do que atravessar o oceano até a Califórnia.

No entanto eles partem até a Califórnia, e o pai de Nemo continua com o seu medo tentando desencorajá-la. “Esquecer é tudo que você sabe fazer!” Disse Marlin. Palavras cruéis. Nesse instante Dory é capturada e lançada num aquário, a semelhança do que tinha ocorrido com Nemo. Desta vez não era para uso doméstico, mas para um instituto aquático.

Nemo repreende seu pai pelo que havia dito, não era verdade que esquecer era tudo que Dory sabia fazer. Sentindo-se culpado ele parte com o filho atrás de Dory, e com ajuda de novos amigos, como Beca, os leões marinhos, e outros. E o filme segue mostrando a procura de Nemo por Dory, e de Dory por seus pais. Nessa procura ela conta com o apoio da Tubarão Baleia Destiny, do Bailey a Baleia Branca, e Hank o polvo, que no início estava mal intencionado, mas depois se apega a peixinha, e passa a ajudá-la em sua missão.

Percebi ao longo da minha vida que a consciência não é tudo. E as lembranças são algo de importância consciente, ou seja, é um detalhe que precisamos para justificar algumas ações, para preencher um espaço entre o passado e o presente. Mas existem muitas coisas registradas inconscientemente, memórias que não são utilizadas da mesma forma como costumamos. Quantos caminhos percorri utilizando esse tipo de registro inconsciente! E olha que meus arquivos eram bem poucos, pois nunca tinha estado em muitos lugares.

Existem coisas que nos marcam. No filme Dory já tinha se esquecido do episódio em que Marlin tinha proferido essas palavras, mas, ela mesma, disse a si mesmo “esquecer é tudo que sabe fazer”. Existem muitas formas de memória. Quantos julgamentos carregamos sem nem imaginar que não é uma crença nossa, mas uma ideia colocada em nós pelas experiências vividas?

Percebo que ser um pouco desajustado é uma grande vantagem. Sem ela Marlin não teria encontrado Nemo, não fosse sua coragem de quem desconhece a maldade das coisas, ou confia no poder do bem, ela não teria encontrado seus pais, e não fosse pelo exemplo que ela deu a Nemo, eles também não teriam conseguido encontrá-la.

Dory passou a ser a referência das ações de Nemo. “O que a Dory faria?” perguntava-se. O correto a se fazer era o que ela faria, pois não teria vestígio de medo, preconceito, rancor. Nada que precisa de memória recente para se perpetuar. No fim das contas, os pais sensatos dela acertaram em cheio no método, pois por mais que tenha demorado em ter a resposta, Dory aprendeu a pedir ajuda e aprendeu a voltar pra casa!

"Continue a nadar, continue a nadar. Sempre tem outro jeito! Siga as conchas".


Link relacionado: Procurando-me em Nemo

domingo, 6 de setembro de 2015

O Pequeno Príncipe - Filme



Esperei ansiosamente pela estreia nos cinemas do filme O Pequeno Príncipe. Quem me acompanha sabe que sempre gostei da fábula de Antoine de Sant Exupéry, com sua delicadeza, e infinitos pontos de semelhança com minha vida.


Quando assisti ao trailer do filme, percebi que não seria apenas o enredo do livro representado nas telonas, outras personagens entrariam em cena para dar mais vida ao filme. E a personagem seria exatamente uma menininha sem nome, com uma mãe sem nome, que pode ser qualquer uma de nós que somos ou fomos garotas. 



A mãe tinha por objetivo preparar a filha para a melhor carreira acadêmica que ela podia sonhar, e para isso a garota não poderia ter vida social. Vivia isolada em casa, estudando, sem amigos. Ela não podia ser menos do que perfeita. Até que um dia seu vizinho, um ex-aviador idoso, percebe sua solidão e começa a atrair a menina para uma grande aventura. A sua aventura com o pequeno príncipe.

O velhinho começa a contar a história do principezinho que ele conheceu no deserto do Saara, na ocasião da queda do seu avião bimotor. Um príncipe criança, no deserto, pedindo um desenho de um carneiro. Uma figura inusitada que questionava as pessoas grandes, que ele julgava muito esquisitas. E realmente são.




O filme focou nas esquisitices dos adultos, que afinal era a principal crítica do livro, e ao mesmo tempo em que omitiu algumas personagens (como o bêbado, o acendedor de lampiões, o astrônomo e o geógrafo), apresentou-nos novas perspectivas do rei, do homem de negócios e o vaidoso, que em minha opinião é o protagonista de muitas histórias atuais. Além é claro da mãe sem nome, da menina sem nome. Faltava uma versão feminina de gente esquisita, e quer ser mais esquisito que uma mãe?

Mas o filme foi muito feliz, pois as personagens e o enredo adicional mantiveram a ternura do livro, o essencial invisível aos olhos. Na verdade me identifiquei tanto com a garotinha quanto tinha antes me identificado com o principezinho, ou com a raposa, que queria criar laços! 



“Vivi, portanto só, sem amigos com quem pudesse realmente conversar”. Disse o aviador; Depois de adulto ele chegou a triste conclusão de que as coisas que não tem preço não tem valor nesse mundo. Eu, o aviador, o príncipe e a menina temos em comum a solidão, pela tremenda falta de habilidade em lidar com gente grande, ou mesmo com gente pequena metida a gente grande. Damos valor as pequenas coisas, questionamos tudo. 



Não vou contar o final do filme, pois seria demais desagradável para quem não assistiu. Mas, de todas as obras de animação que já assisti, até mesmo pelo vínculo emocional que tenho com o petit prince, esta foi a melhor. 





    

domingo, 9 de março de 2014

A Menina que Roubava Livros - O Filme







Dívida eterna. Cinema e livro são um pouco como água e óleo. Às vezes colocam uma farinha no meio para unir as duas coisas, mas o resultado não é muito saudável...

Li A Menina que Roubava Livros há uns 2 anos (ver aqui) . Foi um momento emocionante, o romance de Marcus Zusac é muito poético, mas não patético, pois as personagens se veem às voltas com os impactos da Segunda Guerra Mundial em plena Alemanha Nazista. Pelo cenário, dá para imaginar a tensão do romance. No filme não foi assim.

Quando dissertei sobre as tramas de livros que viram filmes (ver aqui) ainda não havia assistido a esse filme, mas já sabia que o veria. Até então tinha assistido ao trailer, e achei a fotografia muito adequada. Decidi conhecer outro ponto de vista sobre o enredo de Zusac. Em termos gerais, ficou muito aquém do que poderia.

A morte, que narra toda a história do livro, para quem não o leu talvez não a tenha associado como narradora no filme. Liesel era a menina boazinha, Max o “almofadinhas” judeu, Ilsa Hermann não teve o destaque que merecia. Rudy Steiner, Rosa e Hans Hubermann foram às personagens mais fiéis ao livro, embora nem tanto. Mas são pontos de vista.


Faltou a essência do livro. O cheiro cruel da guerra. Liesel Meminger foi entregue à adoção pela mãe, sendo que no caminho até a casa dos pais adotivos, seu irmão morre no trem. Chega, e percebe que sua nova mãe é um ser bizarro, e seu pai um ser maravilhoso. A descrição de Hans Hubermann feita pela morte no livro é singela:

”Para a maioria das pessoas, Hans Hubermann mal chegava a ser visível. Uma pessoa não especial. Com certeza, tinha excelentes habilidades como pintor. Sua habilidade musical era superior à média. Mas, de algum modo, e tenho certeza de que você deve ter conhecido gente assim, ele conseguia parecer uma simples parte do cenário, mesmo quando estava na frente de uma fila. Vivia apenas por ali, sempre. Indigno de nota. Não era importante nem particularmente valioso. O frustrante nessa aparência, como você pode imaginar, era ela ser completamente enganosa, digamos. Decididamente, havia valor nele“. 



Liesel ganha um vizinho amigo Rudy Steiner (Nico Liersch)Até aqui o filme foi fiel, coerente com o enredo, mas o que o cinema pode reproduzir deve ser um bom produto e não um bom filme, se é que me entendem. O ódio Nazista, os delírios de Hitler, sóciopata, o som e a fúria da guerra, os detalhes poéticos, uma mulher que alimentava com livros a inteligência de uma garota (Ilsa Hermann), um pai educador fascinante, um judeu perseguido por ser um humano igual a qualquer outro, mas que um não ariano, disse ser diferente e indigno de viver com a raça ariana. Um judeu atlético que vai definhando num porão do amigo de guerra de seu finado pai.





Não sei por que o filme omitiu o fato de Max Vanderburg fazer exercícios e sonhar com a vingança sobre o Führer. Não relatar que o livro que levara consigo era o famoso Mein Kampf (Minha Luta) onde  Hitler divulgou suas teorias antissemitas, e que esse livro era um escudo para que ninguém desconfiasse de sua origem durante o percurso até a casa dos Hubermanns. Penso que Max foi um tanto depreciado no filme, sua relevância foi esvaziada, e para dar um bom produto foi resumido num flerte para Liesel, sendo que este papel era de Rudy. O que sustenta essa minha tese sobre Max e Liesel foi o coro da plateia do cinema quando eles se abraçaram no final: “Óóóóó!” Como quem diz: “que casal bonito”. Acho que um judeu vingativo que escreve sobre o Führer, que demostrou uma amizade sem malícia não daria um bom par, e não comoveria o público.




O livro também acaba assim, mas ao ler não tive essa sensação boba projetada no telão do cinema. Naquele abraço havia muito sofrimento a ser desabafado. Talvez tenha sido mesmo a intenção tanto do livro quando do filme sugestionar o público, ao menos até a parte onde é falado do casamento de Liesel, seus filhos e netos e Max, o amigo. Mas me recuso a me ater ao “viveram felizes para sempre” dos enlatados americanos.

Os Estados Unidos devem ter seus motivos para não se aterem aos detalhes da Segunda Guerra. Devem ter muitos esqueletos nos armários. Charles Chaplin e suas sátiras ao grande ditador sofreu muita censura até ser reconhecido.

Outros fatos também foram distorcidos. Quem escreveu nas páginas pintadas de branco do Mein Kampf foi Max Vanderburg e não Liesel. O livro que ela recebera como presente dele possuía 13 páginas, intitulado de O Vigiador. Depois, nas páginas restantes Max escreveu outro livro que Rosa Hubermann o entregaria a Liesel depois da partida de Max da Rua Himmel. Chamava-se A Sacudidora de Palavras. O Livro que flutuou no Rio Amper, não foi nenhum destes, foi um livro que Liesel havia furtado da biblioteca do prefeito.




Ilsa Hermann foi quem deu o livro em branco onde Liesel Meminger escreveria sua história, que ninguém senão a morte leu, pois este fora jogado nos entulhos após a explosão da Rua Himmel. E a morte achou por bem narrá-la. Mais uma distorção dos fatos em nome do produto. O Marketing às vezes é nocivo, o próprio Hitler é um produto desse tipo de Marketing, guardada as devidas proporções.

Enfim, não deve haver como reproduzir um livro de modo a satisfazer leitores argutos. Para o público que não leu, foi um filme “óóóó´”. Para os que leram e pensam o mesmo, respeito a opinião. Mas prefiro o livro, irremediavelmente. Há muito mais coisas em comum entre mim e Liesel Meminger do livro, do que a garotinha Liesel (linda por sinal a pequena Sophie Nélisse) representada no filme.