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segunda-feira, 15 de junho de 2020

Seremos Eternos


Tenha um filho. Plante uma árvore. Escreva um livro.

Diz o ditado que todo ser humano devia ter filhos, plantar uma árvore e escrever um livro para deixar de legado ao mundo. É uma filosofia de vida bonita vista daqui debaixo do sol. As três ações para mim significam gerar vida, ou multiplicar vida.

É fato que existem pessoas que fazem o mal com os filhos do ventre, há ervas daninhas e livros inúteis que não trazem nada de bom à quem lê, mas é fato que desde que o homem tomou ciência de que existia o bem e o mal no mundo, nunca foi dito que saberíamos discernir um do outro sem que Deus nos revelasse, pois a natureza humana por si está sempre inclinada ao mal.

Escrever um livro, das três ações, é a única que sempre esteve ardendo em meu coração, e querendo transformar-se e me transformar. Desde muito jovem havia quem me dissesse para publicar um livro. Eu tinha muitas poesias escritas, e muita história por contar. Mas a vida, essa caixa de pandora, me levou aos poucos e sem que eu percebesse para muito longe do meu sonho.

Sem porque, aos poucos a literatura foi perdendo espaço na minha vida, a internet nos enche de informações rápidas e processadas, e acabei envolvida pela pressa cotidiana, pelas web imagens ao passo que uma boa leitura, serena e compassada e todos as personagens que ela me trazia ficou em segundo, terceiro plano, até que eu me esquecesse delas.

Vez ou outra passava por minhas poesias, sorria para as prediletas, mas muitas delas não se correspondiam mais com sua autora. Eram emoções que precisavam de mais que uma leitura rápida para serem compreendidas e reveladas. Foram composições em momentos de extrema ternura e paixão, outras de tristezas, mas envolvidas pela esperança. A velocidade da rotina e o desânimo não me conectavam mais a essas sensações.

Até que um dia, na ânsia de ajudar alguém a se libertar da solidão, gritei por socorro, sem rumo certo, à esmo lancei garrafas ao mar com pedido de ajuda, até que alguém resgatou meu pedido e me estendeu a mão! E sem que eu pudesse entender a razão, aos poucos desacelerei, e voltei a enxergar o que eu não via há muito tempo...

Enquanto não me surge ocasião de gerar um filho ou plantar uma árvore, meu legado já está com meio caminho andado! Poesias eternizam os sentimentos mais sinceros, as belezas mais sutis, os amores mais profundos. Escrever clareia a alma, dá descanso aos pensamentos, alivia o coração. Por transformar meus afetos em versos seremos eternos!


domingo, 6 de setembro de 2015

O Pequeno Príncipe - Filme



Esperei ansiosamente pela estreia nos cinemas do filme O Pequeno Príncipe. Quem me acompanha sabe que sempre gostei da fábula de Antoine de Sant Exupéry, com sua delicadeza, e infinitos pontos de semelhança com minha vida.


Quando assisti ao trailer do filme, percebi que não seria apenas o enredo do livro representado nas telonas, outras personagens entrariam em cena para dar mais vida ao filme. E a personagem seria exatamente uma menininha sem nome, com uma mãe sem nome, que pode ser qualquer uma de nós que somos ou fomos garotas. 



A mãe tinha por objetivo preparar a filha para a melhor carreira acadêmica que ela podia sonhar, e para isso a garota não poderia ter vida social. Vivia isolada em casa, estudando, sem amigos. Ela não podia ser menos do que perfeita. Até que um dia seu vizinho, um ex-aviador idoso, percebe sua solidão e começa a atrair a menina para uma grande aventura. A sua aventura com o pequeno príncipe.

O velhinho começa a contar a história do principezinho que ele conheceu no deserto do Saara, na ocasião da queda do seu avião bimotor. Um príncipe criança, no deserto, pedindo um desenho de um carneiro. Uma figura inusitada que questionava as pessoas grandes, que ele julgava muito esquisitas. E realmente são.




O filme focou nas esquisitices dos adultos, que afinal era a principal crítica do livro, e ao mesmo tempo em que omitiu algumas personagens (como o bêbado, o acendedor de lampiões, o astrônomo e o geógrafo), apresentou-nos novas perspectivas do rei, do homem de negócios e o vaidoso, que em minha opinião é o protagonista de muitas histórias atuais. Além é claro da mãe sem nome, da menina sem nome. Faltava uma versão feminina de gente esquisita, e quer ser mais esquisito que uma mãe?

Mas o filme foi muito feliz, pois as personagens e o enredo adicional mantiveram a ternura do livro, o essencial invisível aos olhos. Na verdade me identifiquei tanto com a garotinha quanto tinha antes me identificado com o principezinho, ou com a raposa, que queria criar laços! 



“Vivi, portanto só, sem amigos com quem pudesse realmente conversar”. Disse o aviador; Depois de adulto ele chegou a triste conclusão de que as coisas que não tem preço não tem valor nesse mundo. Eu, o aviador, o príncipe e a menina temos em comum a solidão, pela tremenda falta de habilidade em lidar com gente grande, ou mesmo com gente pequena metida a gente grande. Damos valor as pequenas coisas, questionamos tudo. 



Não vou contar o final do filme, pois seria demais desagradável para quem não assistiu. Mas, de todas as obras de animação que já assisti, até mesmo pelo vínculo emocional que tenho com o petit prince, esta foi a melhor. 





    

domingo, 9 de março de 2014

A Menina que Roubava Livros - O Filme







Dívida eterna. Cinema e livro são um pouco como água e óleo. Às vezes colocam uma farinha no meio para unir as duas coisas, mas o resultado não é muito saudável...

Li A Menina que Roubava Livros há uns 2 anos (ver aqui) . Foi um momento emocionante, o romance de Marcus Zusac é muito poético, mas não patético, pois as personagens se veem às voltas com os impactos da Segunda Guerra Mundial em plena Alemanha Nazista. Pelo cenário, dá para imaginar a tensão do romance. No filme não foi assim.

Quando dissertei sobre as tramas de livros que viram filmes (ver aqui) ainda não havia assistido a esse filme, mas já sabia que o veria. Até então tinha assistido ao trailer, e achei a fotografia muito adequada. Decidi conhecer outro ponto de vista sobre o enredo de Zusac. Em termos gerais, ficou muito aquém do que poderia.

A morte, que narra toda a história do livro, para quem não o leu talvez não a tenha associado como narradora no filme. Liesel era a menina boazinha, Max o “almofadinhas” judeu, Ilsa Hermann não teve o destaque que merecia. Rudy Steiner, Rosa e Hans Hubermann foram às personagens mais fiéis ao livro, embora nem tanto. Mas são pontos de vista.


Faltou a essência do livro. O cheiro cruel da guerra. Liesel Meminger foi entregue à adoção pela mãe, sendo que no caminho até a casa dos pais adotivos, seu irmão morre no trem. Chega, e percebe que sua nova mãe é um ser bizarro, e seu pai um ser maravilhoso. A descrição de Hans Hubermann feita pela morte no livro é singela:

”Para a maioria das pessoas, Hans Hubermann mal chegava a ser visível. Uma pessoa não especial. Com certeza, tinha excelentes habilidades como pintor. Sua habilidade musical era superior à média. Mas, de algum modo, e tenho certeza de que você deve ter conhecido gente assim, ele conseguia parecer uma simples parte do cenário, mesmo quando estava na frente de uma fila. Vivia apenas por ali, sempre. Indigno de nota. Não era importante nem particularmente valioso. O frustrante nessa aparência, como você pode imaginar, era ela ser completamente enganosa, digamos. Decididamente, havia valor nele“. 



Liesel ganha um vizinho amigo Rudy Steiner (Nico Liersch)Até aqui o filme foi fiel, coerente com o enredo, mas o que o cinema pode reproduzir deve ser um bom produto e não um bom filme, se é que me entendem. O ódio Nazista, os delírios de Hitler, sóciopata, o som e a fúria da guerra, os detalhes poéticos, uma mulher que alimentava com livros a inteligência de uma garota (Ilsa Hermann), um pai educador fascinante, um judeu perseguido por ser um humano igual a qualquer outro, mas que um não ariano, disse ser diferente e indigno de viver com a raça ariana. Um judeu atlético que vai definhando num porão do amigo de guerra de seu finado pai.





Não sei por que o filme omitiu o fato de Max Vanderburg fazer exercícios e sonhar com a vingança sobre o Führer. Não relatar que o livro que levara consigo era o famoso Mein Kampf (Minha Luta) onde  Hitler divulgou suas teorias antissemitas, e que esse livro era um escudo para que ninguém desconfiasse de sua origem durante o percurso até a casa dos Hubermanns. Penso que Max foi um tanto depreciado no filme, sua relevância foi esvaziada, e para dar um bom produto foi resumido num flerte para Liesel, sendo que este papel era de Rudy. O que sustenta essa minha tese sobre Max e Liesel foi o coro da plateia do cinema quando eles se abraçaram no final: “Óóóóó!” Como quem diz: “que casal bonito”. Acho que um judeu vingativo que escreve sobre o Führer, que demostrou uma amizade sem malícia não daria um bom par, e não comoveria o público.




O livro também acaba assim, mas ao ler não tive essa sensação boba projetada no telão do cinema. Naquele abraço havia muito sofrimento a ser desabafado. Talvez tenha sido mesmo a intenção tanto do livro quando do filme sugestionar o público, ao menos até a parte onde é falado do casamento de Liesel, seus filhos e netos e Max, o amigo. Mas me recuso a me ater ao “viveram felizes para sempre” dos enlatados americanos.

Os Estados Unidos devem ter seus motivos para não se aterem aos detalhes da Segunda Guerra. Devem ter muitos esqueletos nos armários. Charles Chaplin e suas sátiras ao grande ditador sofreu muita censura até ser reconhecido.

Outros fatos também foram distorcidos. Quem escreveu nas páginas pintadas de branco do Mein Kampf foi Max Vanderburg e não Liesel. O livro que ela recebera como presente dele possuía 13 páginas, intitulado de O Vigiador. Depois, nas páginas restantes Max escreveu outro livro que Rosa Hubermann o entregaria a Liesel depois da partida de Max da Rua Himmel. Chamava-se A Sacudidora de Palavras. O Livro que flutuou no Rio Amper, não foi nenhum destes, foi um livro que Liesel havia furtado da biblioteca do prefeito.




Ilsa Hermann foi quem deu o livro em branco onde Liesel Meminger escreveria sua história, que ninguém senão a morte leu, pois este fora jogado nos entulhos após a explosão da Rua Himmel. E a morte achou por bem narrá-la. Mais uma distorção dos fatos em nome do produto. O Marketing às vezes é nocivo, o próprio Hitler é um produto desse tipo de Marketing, guardada as devidas proporções.

Enfim, não deve haver como reproduzir um livro de modo a satisfazer leitores argutos. Para o público que não leu, foi um filme “óóóó´”. Para os que leram e pensam o mesmo, respeito a opinião. Mas prefiro o livro, irremediavelmente. Há muito mais coisas em comum entre mim e Liesel Meminger do livro, do que a garotinha Liesel (linda por sinal a pequena Sophie Nélisse) representada no filme.





sábado, 17 de dezembro de 2011

Eu e a menina que roubava livros - Capítulo final: A Morte





Morte. Nunca tive medo da morte, ninguém tem até vê-la se aproximando. E como ela não se aproximou ainda deixo-a em seu canto, talvez ela esteja comovida com as coisas que eu escrevo. Essa personagem não faz parte das minhas prediletas, não sou louca o suficiente para fazer uma ode à morte! 

Mas, quis escrever esse post depois de uma conversa rápida com uma pessoa que recentemente foi visitada pela morte, igual à menina Liesel Meminger no trem. 

A cor daquele dia era amarela. O sol coloria o dia que emanava amor. A notícia surgiu de modo inesperado pelos amigos, talvez não tanto para os familiares, que costumam manter uma "desesperança esperançosa". No entanto, a morte decretou luto e descanso da rotina diária de muitas pessoas. 

Era um dia de calor e lágrimas. Eu não sabia quem havia sido resgatado, e nunca saberei; tudo que eu sabia é que era irmã de alguém especial, que há bem poucas horas era apenas mais uma pessoa querida, mas o sofrimento da morte me dá medo porque para mim ela serve de adubo. 

Muitas coisas já floresceram em momentos fúnebres, momentos de amor, de amizade, de compaixão, de paz... Tenho a estranha sensação de que nada de bom deveria nascer àqueles que sobrevivem à morte, de modo que me sinto privilegiada e nem um pouco orgulhosa, afinal não fico caçando velórios em busca de amigos, eles apenas acontecem.

O cortejo fúnebre sairia de perto de onde eu estaria normalmente, por isso eu soube do ocorrido e todos que ali estariam também souberam. Uma voz na minha consciência dizia: "Vá lá abraçá-lo!" E eu fui, como uma menina obediente que sou. A grande maioria da multidão chorosa de colegas iguais a mim paravam na porta, sem coragem de entrar e procurar o rosto amigo. 

Mas eu segui adiante, entrei e o abracei. Não sabia que com esse gesto estava plantando mais uma sementinha de amizade daquelas preciosas. Desde então tudo mudou, e agora eu guardo na memória não a expressão sofrida dessa pessoa naquele dia, mas um olhar sorridente, a expressão alegre e admirada de quem fica para cumprir sua missão nesse mundo. 


Ensinar é uma das melhores missões humanas. Essa mesma pessoa com um brilho inesquecível no olhar fez alusão a personagem MORTE de "a menina que roubava livros", a morte e suas cores; pelo momento recente essa afinidade me surpreendeu, mas é melhor assim, a morte salva os que se foram e não deve corromper os tesouros que ficam.


sábado, 10 de dezembro de 2011

A menina que roubava livros - Ilsa Hermann


Nos meus tempos de escola o acesso a livros não era tão fácil como atualmente. Vejo cada obra espetacular sendo distribuída aos alunos, então lamento muito já ter completado o ensino médio antes dessa maré de boa sorte. 

Dói tanto quando vejo esses mesmos livros jogados no lixo, nas ruas, sem a menor consideração daqueles que receberam e são ignorantes demais para notar a riqueza que menosprezou. Isso me faz sentir menos culpada ou menos envergonhada por num passado tão, tão distante... ter me apropriado inadequadamente de livros da biblioteca da escola, o que me enquadra na categoria de Liesel Meminger. 

Livros. Ler e escrever, desde que fui alfabetizada, tornou-se minha vida, sempre lia, à vezes escondida porque irritava alguma pessoa a minha volta. Liesel  Meminger era uma menina sofrida pela lembrança da morte do irmão e ausência da mãe biológica, o meu sofrimento era a ausência de mim mesmo. 





Encontrei-me nas palavras, nos versos, nos diários, nos símbolos. Em a menina que roubava livros algumas pessoas alimentaram esse dom em Liesel: Hans, Max, e uma em especial a esse post: Ilsa Hermann. Claro que sempre há aquela pessoa que batalha para que tudo dê errado, na melhor das intenções, mas cheio de fel no coração, como fazia Rosa Hubermann, que não incentivava a leitura da menina, que acabava por fazê-lo a noite com o pai enquanto a mãe roncava.

Ilsa Hermann, a mulher do prefeito possuía uma biblioteca variada, a qual diponibilizou para Liesel usufruir. Após um mal entendido entre as duas, porém, Liesel puniu-se não visitando mais a biblioteca, mas a roubadora de livros não resistiu quando notou certa facilidade em adentrar o local por meios escusos. Todavia era Ilsa que em silêncio, facilitava seu acesso e seus furtos, e foi ela quem presenteou Liesel com o caderno de capa preta onde a menina escreveria sua história.

Em minha vida, quem me deu o livro que definiria meu destino foi a diretora da escola onde eu estudava, D. Conceição, no ano de 1996 (ou 1997. Pois é, o tempo passa!). O livro era uma antologia poética de Mario Quintana.






Pelos versos do poeta gaúcho fui aprendendo a compor meus próprios versos, e poeta precisa de conteúdo e inspiração, e para tanto me vali de mais livros, dessa vez lícitos, e muitos sonhos inspiradores, meu portfólio poético possui 300 poesias. É pouco, mas optei pela qualidade, posso dizer que é pouco, mas bem feito, embora ainda aguarde alguma devolutiva dos que leram a obra completa.

A morte (no conto de Zusak) pegou o livro de Liesel, guardou e o olhou milhares de vezes ao longo dos anos. Até a morte se comove com uma menina que escreve livros, ou como o próprio autor diz: "até a morte tem coração". Se você escreve e alguém lhe diz que é besteira, a morte não concorda, e você não vai querer discutir com ela! 

Acredito que a morte e as palavras têm uma relação estreita, tanto que a obra mais brilhante do ex-presidente Getúlia Vargas, foi sua carta póstuma: "saio da vida para entrar na história!"  

(Considerando os devaneios de um suicída e a licença poética do termo "brilhante")




A menina que roubava livros




Há pouco mais de dois meses recebi um convite da morte e aceitei, sem oferecer resistência.


    Eis um pequeno fato: "Você vai morrer" 


Palavras da morte. Na verdade o convite veio por meio de uma colega que me presenteou com o livro A menina que roubava livros, de Markus Zusak, uma história narrada pela morte e que me seduziu de tal forma que me apaixonei pelas personagens. 

Apaixonei-me por Liesel Meminger;
Apaixonei-me por Max Vandenburg;
Apaixonei-me por Hans Hubermann;
e por Rudy Steiner;

Nesta ordem.


Liesel Meminger é uma garotinha que descobriu o mundo nas palavras, lidas, escritas ou mesmo desenhadas. Abandonada pela mãe para adoção, foi criada por Hans e Rosa Hubermann, a última apesar das boas intenções não me convenceu de que possuía um coração, e Hans era o pai.





Um homem limitado em conhecimentos, mas rico em sabedoria, acolheu Liesel e deu asas a sua imaginação. Até nos livros os bons morrem cedo! O mesmo acordeão que Hans tocava pra Liesel enquanto ela lia a beira do rio Amper, foi o que atraiu Max Vandenburg a Rua Himmel, 33.



O judeu, filho de um amigo do passado de Hans, vinha buscar asilo no seio da família Hubermann para alegria e desespero de todos. Afinal, não devia ser fácil abrigar um judeu numa Alemanha Nazista, em meio a ira tresloucada do Führer. 

Entretanto, Max tornou-se uma grande companhia para a sonhadora Liesel, tão importante para a menina quanto Rudy Steiner, seu amigo de infância com traços que me dizem algo a memória. 


Loiro, "cabelo de limão", olhos claros, dentes afiados. Assim a morte, por meio da menina que roubava livros, descreveu Rudy, que tudo fez para receber um beijo de Liesel, e mal sabia onde o encontraria, que seus lábios estariam gelados quando os lábios dela os tocassem.

Essa história, essas quatro personagens e mais duas: Rosa Hubermann e Ilsa Herman, guardam laços estreitos com minha história, que eu não pretendo deixar para a morte contar.




Post Scriptum:  Preciso agradecer quem me presenteou. Obrigada Dayane Priscila Aparecida da Silva Pereira! 

(Podem crer, é uma pessoa só!)       





sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Eu e a menina que roubava livros - Rosa Hubermann






Entre uma mãe que a abandona para adoção e outra que cuida de você, lhe dá tudo de material que você necessita, mas lhe chama de porca imunda de cinco em cinco minutos, e não dá valor aos seus talentos mais preciosos, qual é preferível?

Se houvesse uma terceira opção, não teria como ser pior. Mas a vida narrada pela morte proporcionou estas mães à Liesel Meminger, se bem que a morte só fez divulgar as palavras da menina. Pergunto-me, sinceramente, quantas "Liesels" existem mundo afora (nem tão afora assim...) que se refugiam atrás das palavras lidas e escritas, divulgadas ou não.

Os trechos a seguir são bastante familiares:

"Não se castigue - a menina a ouviu dizer outra vez. mas haveria castigo e sofrimento, e haveria também felicidade em escrever.

"A noite, quando a mãe e o pai foram dormir Liesel desceu furtivamente ao porão e acendeu a lamparina de querosene. Durante a primeira hora, só fez olhar para o papel e o lápis. obrigou-se a lembrar e, como era seu hábito, não desviou os olhos.

- Shcreibe - instruiu a si mesma. Escreva.

Passadas mais de duas horas, Liesel Meminger começou a escrever, sem saber como conseguiria fazer isso direito."

A tarefa de escrever escondido é uma das oitavas maravilhas do mundo, quando o resultado é positivo e outras pessoas admiram o trabalho feito. A grande maioria costumam não valorizar esse hábito, os catedráticos e intelectuais nunca tiveram boa fama, parecem desocupados, que por não terem mais o que fazer, escrevem.

Rosa Hubermann tinha lá seus motivos para ser como era. E daí? Essa justificativa é tão manjada, e tão sem sentido. Por que pessoas com motivo para serem infelizes se acham no direito de extirpar as chances de felicidade alheia, principalmente de crianças indefesas que acabam de começar a vida?

Gosto de comparar as reações da morte e de Rosa a respeito de Liesel, a morte se comovia com a menina, distraía-se, Rosa vociferava: Saumensch!! Existe coisa pior que a morte no mundo. E não se engane, caro leitor, não estou dissertando sobre uma mera ficção.

Adendo para um atributo de Rosa:

Ela era uma boa mulher nos momentos de crise


Pena que nem todas as flores são assim.






quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Eu e a a menina que roubava livros - Max Vandenburg




Max Vandenburg era a pessoa certa no cenário errado. O personagem que sobrava na família. A família que não pertencia a Max. Era um parêntese abraçando o desabrochar da menina Liesel. 

 
Um judeu numa Alemanha nazista, acolhido por Hans Hubermann, o pai de um comunista, e Rosa Hubermann, uma mulher que tinha o coração de ferro e chamava a todos de Saumensch e Saukerl (Porcos imundos!). 


Max vivia no porão, existia quartos na casa, mas seu lugar era aquele; Liesel descia as escadas e ia buscar inspiração nas histórias de Max Vandenburg, em seu jeito fugidio, calado. Esse personagem em minha vida atende pelo codinome Rei de Espadas. Não era judeu, nem fugitivo do regime nazista, mas vivia no porão, que era espaçoso tal qual um quarto, mas não era um quarto! O fazia por pura esquisitice, já que havia quartos vagos na casa.
  
Mas, eu o visitava com o mesmo interesse da menina Liesel por Max, havia naquele porão um homem cheio de histórias para contar e uma menina com muito o que viver. A grande diferença era que a diferença de idade de mim para o Rei de Espadas era de três anos apenas, entre Liesel e Max havia doze anos. 


Eu descia até o porão e ficava observando-o, muitas vezes não dizia nada, outras vezes desenhava na mente meus próximos versos. Ele foi meu grande inspirador, matéria-prima do meu espólio poético. Existia entre nós algo tão puro que o mundo não podia compreender, como, de fato, não compreendeu.

Como conceber dois jovens num quarto-porão falando de poesias, falando da vida, das tristezas, das alegrias, de amizade? Liesel, em a menina que roubava livros, diversas vezes dormiu aos pés de Max. Ato inconcebível sem a malícia das pessoas. 




O Rei de Espadas diz que eu o superestimo, mas não é verdade, sei do qual humano ele é, falho, frágil e às vezes tão forte! No final a amizade sempre vence. Max Vanderburg era um pouco mais sonhador, e com uma história de vida muito mais difícil. O bom do livro é poder fazer associações, onde o roteiro sempre acaba nos colocando como personagens.




sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

O Pequeno príncipe - Final - Aos administradores:


Este é o último capítulo que trago a baila, desta curta porém intensa obra literária francesa. Trata-se do capítulo que se refere ao “homem de negócios”, ao administrador que se julgava muito sério.



- Eu conheço um planeta onde há um sujeito vermelho, quase roxo. Nunca cheirou uma flor. Nunca olhou uma estrela. Nunca amou ninguém. Nunca fez outra coisa senão somas. E o dia todo repete como tu : " Eu sou um homem sério! Eu sou um homem sério ! " e isso o faz inchar-se de orgulho. Mas ele não é um homem; é um cogumelo! "









"O quarto planeta era o do homem de negócios. Estava tão ocupado que não levantou sequer a cabeça à chegada do príncipe.
- Bom dia, disse-lhe este. O seu cigarro está apagado.
- Três e dois são cinco. Cinco e sete, doze. Doze e três, quinze. Bom dia. Quinze e sete, vinte e dois. Vinte e dois e seis, vinte e oito. Não há tempo para acender de novo. Vinte e seis e cinco, trinta e um. Uf! São, pois quinhentos e um milhões, seiscentos e vinte e dois mil, setecentos e trinta e um.



- Quinhentos milhões de que ?
- Heim ? Ainda estás aqui ? Quinhentos e um milhões de... Eu não sei mais... Tenho tanto trabalho. Sou um sujeito sério, não me preocupo com ninharias ! Dois e cinco, sete...
- Quinhentos milhões de que ? Repetiu o principezinho, que nunca na sua vida renunciara a uma pergunta, uma vez que a tivesse feito.

O homem de negócios levantou a cabeça :
- Há cinquenta e quatro anos que habito este planeta e só fui incomodado três vezes. A primeira vez foi há vinte e dois anos, por um besouro caído não sei de onde. Fazia um barulho terrível, e cometi quatro erros na soma. A segunda foi há onze anos, por uma crise de reumatismo. Falta de exercício. Não tenho tempo para passeio. Sou um sujeito sério. A terceira... É esta! Eu dizia, portanto, quinhentos e um milhões...
- Milhões de que ?

O homem de negócios compreendeu que não havia esperança de paz :

- Milhões dessas coisinhas que se vêem às vezes no céu. Essas coisinhas douradas que fazem sonhar os ociosos. Eu cá sou um sujeito sério. Não tenho tempo para divagações.
- Ah! Estrelas ?
- Isso mesmo. Estrelas.
- E que fazes tu de quinhentos milhões de estrelas ?
- Que faço delas ? Nada. Eu as possuo.
- E de que te serve possuir as estrelas ?
- Serve-me para ser rico.
- E para que te serve ser rico ?
- Para comprar outras estrelas, se alguém achar.

- E que fazes tu com elas ?
- Eu as administro. Eu as conto e reconto, disse o homem de negócios, É difícil. Mas eu sou um homem sério !
O principezinho ainda não estava satisfeito.
- Eu, se possuo um lenço, eu posso colocá-lo em torno do pescoço e leva-lo comigo. Se possuir uma flor, posso colher a flor e levá-la comigo. Mas tu não podes colher as estrelas.
- Não. Mas eu posso colocá-las no banco.
- Que quer dizer isto ?
- Isso quer dizer que eu escrevo num papelzinho o número das minhas estrelas. Depois tranco o papel à chave numa gaveta.
- Só isto ?
- E basta...
É divertido, pensou o principezinho. É bastante poético. Mas não é muito sério.
O principezinho tinha, sobre as coisas sérias, ideias muito diversa das idéias das pessoas grandes.





- Eu, disse ele ainda, possuo uma flor que rego todos os dias. Possuo três vulcões que revolvo toda semana. Porque revolvo também o que está extinto. A gente nunca sabe. É útil para os meus vulcões, é útil para a minha flor que eu os possua. Mas tu não é útil às estrelas...




O homem de negócios abriu a boca, mas não achou nada a responder, e o principezinho se foi...
As pessoas grandes são mesmo extraordinárias, repetia simplesmente no percurso da viagem. "






Nem discutirei a simplicidade do homem que acreditava possuir as estrelas, e ainda cria que isso pudesse fazê-lo rico. É comum pensar que o que não tem dono podemos tomar posse, mas quem disse que as estrelas não têm dono?


Mas o enfoque aqui é outro, pretendo exercitar minha profissão. Existe o Código de Ética do Administrador, que regula a conduta dos profissionais desta área. Analisando o dito “homem sério” sob as normas deste código, superficialmente ele estaria dentro do regulamento.

Primeiro, segundo os Deveres, dentro do Art. 1º, §XI, o homem cumpria fiel e integralmente as obrigações e compromissos assumidos, relativos ao exercício profissional; e cumpriu seu dever de acordo com o Capítulo I, Art. 1°, §IX, ao informar sua incapacidade, ainda que momentânea, para o exercício da função devido ao reumatismo. Creio que lhe caberia uma indenização não fosse um porém, que citarei adiante.


O homem era realmente muito eficiente, mas era de um egoísmo enorme, criou uma empresa pra si, trabalhava só pra si e isso fere diretamente o Código de Ética do Administrador; no preâmbulo, §III, consta que o CEPA (Código de Ética do Profissional de Administração) é um estimulo para que os profissionais ampliem sua capacidade de pensar, visualizar seu papel e tornar suas ações mais eficazes diante da sociedade, ou seja, era seu dever como cidadão e como profissional, contribuir para o incessante progresso das instituições sociais e dos princípios legais que regem o país, ou no caso da fábula, o Universo.


Aquele cogumelo, como bem disse o principezinho, palavra sinônima de parasita, que vive à custa alheia, tomou para si as estrelas, que não foram fruto de trabalho seu, e julgando administrá-las formou uma empresa que não contribui com coisa nenhuma, que se impõe como se fosse algo não sendo nada, e aqui está a razão de que nem uma indenização pelo reumatismo esse homem pode requerer, uma vez que sua empresa não está sujeita a nada, a quem recorreria?


Nem a si próprio, uma vez que aquilo que ele faz questão de possuir não tem valor material. “É poético”, disse o principezinho. Ele quis ser dono das estrelas e não possuía a si mesmo; daria uma amarga elegia. E por fim, para um administrador ele tinha uma visão demasiado curta, seu negócio não tinha para onde prosperar, Le Petit Prince ao menos visitava as estrelas e asteróides a fim de se instruir e o “homem sério”?








Então, a nós administradores: Cresçamos e ampliemos nossos horizontes pelo bem da classe, a menos que nos contentemos em ser meros cogumelos.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Pequeno Príncipe - Parte IV "Cuidado com o baobás!"


"Vim a conhecer, no terceiro dia, o drama dos baobás:
- É verdade que os carneiros comem arbustos?
- Sim. É verdade.
- Ah! Que bom!
Não compreendi logo porque era tão importante que os carneiros comessem arbustos. Mas o príncipezinho acrescentou :
- Por conseguinte eles comem também os baobás?

Fiz notar ao príncipezinho que os baobás não são arbustos, mas árvores grandes como igrejas. E que mesmo que ele levasse consigo todo um rebanho de elefantes, eles não chegariam a dar cabo de um único baobá.
Mas notou, em seguida, sabiamente :
- Os baobás, antes de crescer, são pequenos.
- É fato!

Com efeito, no planeta do príncipezinho havia, como em todos os outros planetas, ervas boas e más. Por conseguinte, sementes boas, de ervas boas; sementes más, de ervas más. Mas as sementes são invisíveis. Elas dormem no segredo da terra até que uma cisme de despertar. Então ela espreguiça, e lança timidamente para o sol um inofensivo galhinho. Se for de roseira ou rabanete, podemos deixar que cresça a vontade. Mas quando se trata de uma planta ruim, é preciso arrancar logo, mal a tenhamos conhecido.

E um baobá, se a gente custa a descobri-lo, nunca mais se livra dele. Atravanca todo o planeta. Perfura-o com suas raízes. E se o planeta é pequeno e os baobás numerosos, o planeta acaba rachando.

"É uma questão de disciplina, me disse mais tarde o príncipezinho. Quando a gente acaba a toalete da manhã, começa a fazer com cuidado a toalete do planeta. É preciso que a gente se conforme em arrancar regularmente os baobás logo que se distingam das roseiras, com as quais muito se parecem quando pequenos. É um trabalho sem graça, mas de fácil execução".

Às vezes não há inconveniente em deixar um trabalho para mais tarde. Mas, quando se trata de baobá, é sempre uma catástrofe. Conheci um planeta habitado por um preguiçoso. Havia deixado três arbustos... "









Grandes como igrejas”. Essa frase desencadeou todo meu raciocínio para este post, que na verdade foi uma ideia anterior a todos os outros relativos à fábula. Hoje as igrejas não são grandes, são monstruosas, os Baobás por maiores que fossem não alcançam a grandiosidade dos templos hoje chamados igrejas, mas na ocasião para o autor foi uma boa imagem de algo que cresce desordenadamente por descuido de uma verdade anunciada; para danação humana.


Hoje poucos se reúnem somente ao Nome do Senhor Jesus Cristo, como no principio do que a Bíblia considera a igreja, existem muitas denominações que lutam entre si ferrenhamente por suas próprias causas, para possuírem o direito restrito sobre o ministério cristão e recorrem a todo tipo de crendices para garantir supremacia.

Definitivamente estes não são bons frutos, pois separam os filhos de Deus segundo orientações humanas e nem preciso entrar no mérito da questão.

“Não gosto de tomar o tom de moralista. Mas o perigo dos baobás é tão pouco conhecido, e de tão grandes riscos (...) que, ao menos uma vez, faço exceção à minha reserva. E digo portanto: “Meninos! Cuidado com os baobás!” Para advertir meus amigos de um perigo que há tanto tempo os ameaçava, como a mim, sem que pudéssemos suspeitar.” (Antoine de Saint Exupéry)

O Pequeno Príncipe, Parte III Um rei razoável




Vanitas, vanitatum et omnia
vanitas! (Ecl 1:2)

Vaidade das vaidades, é tudo
vaidade!




"Ele se achava na região dos asteróides 325, 326, 327, 328, 329, 330. Começou pois a visitá-los, para procurar uma ocupação e se instruir.

O primeiro era habitado por um rei. O rei sentava-se, vestido de púrpura e arminho, num trono muito simples, posto que majestoso.






- Ah! Eis um súdito, exclamou o rei ao dar com o príncipezinho.

E o príncipezinho perguntou a si mesmo :
- Como pode ele reconhecer-me, se jamais me viu ?
Ele não sabia que, para os reis, o mundo é muito simplificado. Todos os homens são súditos.
O rei fazia questão fechada que sua autoridade fosse respeitada. Não tolerava desobediência. Era um monarca absoluto. Mas, como era muito bom, dava ordens razoáveis.


Mas o príncipezinho se espantava. O planeta era minúsculo. Sobre quem reinava o rei ?
- Majestade... Eu vos peço perdão de ousar interrogar-vos...
- Eu te ordeno que me interrogues, apressou-se o rei a declarar.
- Majestade... Sobre quem é que reinas ?
- Sobre tudo, respondeu o rei, com uma grande simplicidade.
- Sobre tudo ?
Pois ele não era apenas um monarca absoluto, era também um monarca universal.
- E as estrelas vos obedecem ?
- Sem dúvida, disse o rei. Obedecem prontamente. Eu não tolero indisciplina.





- Eu desejava ver um pôr de sol... Fazei-me esse favor. Ordenai ao sol que se ponha...
- Se eu ordenasse a meu general voar de uma flor a outra como borboleta, ou escrever uma tragédia, ou transformar-se em gaivota, e o general não executasse a ordem recebida, quem - ele ou eu - estaria errado ?

- Vós, respondeu com firmeza o príncipezinho.
- Exato. É preciso exigir de cada um, o que cada um pode dar, replicou o rei. A autoridade repousa sobre a razão. Se ordenares a teu povo que ele se lance ao mar, farão todos revolução. Eu tenho o direito de exigir obediência porque minhas ordens são razoáveis.
- E meu pôr de sol? Lembrou o príncipezinho, que nunca esquecia a pergunta que houvesse formulado.
- Teu pôr de sol, tu o terás. Eu o exigirei. Mas eu esperarei na minha ciência de governo, que as condições sejam favoráveis.




- Não tenho mais nada que fazer aqui, disse ao rei. Vou prosseguir minha viagem.

- Não partas, respondeu o rei, que estava orgulhoso de ter um súdito. Não partas: Eu te faço ministro !
- Ministro de que ?
- Da... Da justiça !
- Tu julgarás a ti mesmo, respondeu-lhe o rei. É o mais difícil. É bem mais difícil julgar a si mesmo que julgar os outros. Se conseguires julgar-te bem, eis um verdadeiro sábio.
- Mas eu posso julgar-me a mim próprio em qualquer lugar, replicou o príncipezinho. Não preciso, para isso, ficar morando aqui. Eu vou mesmo embora.
- Não, disse o rei.
Como o rei não dissesse nada, o príncipezinho hesitou um pouco; depois suspirou e partiu.
- Eu te faço meu embaixador, apressou-se o rei em gritar.
Tinha um ar de grande autoridade.
As pessoas grandes são muito esquisitas, pensava, durante a viagem, o príncipezinho."

(Trecho de "O Pequeno Príncipe")








Apesar de presunçoso o rei da fábula era bastante razoável como ele próprio 

afirmava. Ele, como nós, possuía um instinto de que toda autoridade é dom e não fato (João 3:27). Ao sensato que quiser se manter no poder convém levar em consideração as condições favoráveis a que o rei chamava de “ciência de governo”. Ele considerava o que estava além do seu domínio, e então propunha seu juízo com a autoridade que lhe restara, sem, porém, abrir mão de levar a fama.

"O rei sentava-se num trono muito simples, posto que majestoso”. O termo simples é também usado para designar pessoas que se iludem fácil, de modo que na ilusão de seu poder – ignorando a real ciência que governa as condições favoráveis, que servem inclusive para mantê-lo em seu posto majestoso (1 Co 4:7) – o rei então subverte as situações de modo que suponhamos ser autoridade sua.







Certa vez ouvi um crítico econômico interpretar as estatísticas do crescimento do Brasil, disse que a economia do mundo cresceu e todo crescimento reflete nos demais países, de modo que se compararmos o país atual com o país de alguns anos atrás houve mudanças positivas, as quais nenhuma nação está imune, entretanto comparado ao crescimento de outras nações circunvizinhas, o Brasil está aquém do prometido.


Foram as circunstâncias favoráveis que elevaram o nível de vida e não o mérito presunçoso de nenhuma autoridade eleita por si só. O que não impede que as mesmas, tal qual o rei da fábula, se valham das estatísticas incontextualizadas para fazer supor aos simples a sua glória.


Tu expeliste as nações com a tua mão, mas a eles plantaste; afligiste os povos, mas a eles estendes-te largamente. Pois não foi pela sua espada que conquistaram a terra, nem foi o seu braço que os salvou, mas a tua destra e o teu braço, e a luz do teu rosto, porquanto te agradaste deles.” (Salmos 44: 2,3)


Se analisarmos pelas estatísticas (Js: 6), foi sim pela espada e pelos valentes que o povo de Israel conquistou a terra prometida, mas a arrogância era menor ao salmista, pois reconheceu que o universo conspirou a favor e eles já tinham elegido o seu Rei Incorruptível. Mas o rei foi razoável até o fim, e humano também. Apelou pra vaidade do pequeno oferecendo-lhe ministérios... Pra julgar a si mesmo, grande desafio! Por fim ofereceu-lhe embaixada a fim de ser anunciado aos outros mundos, nunca renunciou o poder, mas bem sabia que por si só na podia nada.


“As pessoas grandes são muito esquisitas”.