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sábado, 13 de junho de 2020

Luz Apagada


Há um profundo grito de desespero contido na garganta. Há uma lágrima sedenta e lamuriosa que quer escapar, mas não encontra o caminho. “Solte-se solte, libere suas travas” – alguém me disse. Isso me deu mais angústia, além do desespero e da lamúria, acrescentou a vergonha, a timidez ante a figura até então desconhecida que me fitava.

“Não estou olhando, solte-se”. Riso. A expressão rir para não chorar é muito verdadeira. “Pare de rir!” Ora! Deixe meu sorriso, é o que tenho de melhor! “É preciso soltar o que você tem de pior” ... Meu sorriso é uma farsa que esconde tudo de ruim que eu não consigo me livrar!

Apago a luz e só então, na solidão do quarto escuro, é que consegui soltar urros de raiva, e golpes imaginários no ar. De joelhos no chão tento arrancar as lágrimas, mas elas não vêm ... e outro dia, luz apagada, água do chuveiro caindo nas costas, urros, tristeza, ira. Nada das lágrimas.

Mesmo sabendo que a dor maior ainda ficou, houve alívio. Leveza no respirar, sono sem pesadelos. Quando não tomamos cuidado com o que guardamos dentro do peito, corremos o risco de sofrer para arrancar o desespero que acumulamos sem perceber.

SENTIDO SOLIDÃO

Rodopiando, o anjo calado mira;

Quem é que me guarda as chamas eternas?

O meu cantar triste, apenas suspira,

Nem mais alcança as nuvens do céu etéreas;


Aqui tudo é solidão, minha guia

Eu corro estrada afora sem retorno,

Nem Deus quer conter a minha fúria...

E me alimenta pela veia com soro;


Senão, serei em breve como um céu estrelado,

E cada ano vivido – sem ternura -

Trará em si o clamor de um astro apagado;


Então, no fim de uma insana procura,

Verei em mim um imenso céu nublado,

Com a sombra entristecida da loucura



Não se ponha o sol sobre a vossa ira. Efésios 4:26

Mais um texto que era para ser uma ficção.