quarta-feira, 9 de maio de 2012

Memorial da América Latina - Portinari




Estou encantada!

Nunca fui grande apreciadora de artes plásticas, dentre as grandes obras eu conhecia no máximo Guernica de Pablo Picasso, Monalisa de Leonardo Da Vinci e Abaporu de Tarsila do Amaral, até porque já viraram clichês em todas as provas acadêmicas, concursos, ENEMs e afins. Parece que não sou a única limitada artisticamente.  
No entanto, certo dia alguns contratempos me levaram a mudar o roteiro e resolvi assistir a exposição de Portinari no Memorial da América Latina, entrei sozinha da primeira vez, um pouco cética, com minha opinião preconceituada sobre esse tipo de arte, e fui me encantando, primeiro com o ambiente.

Niemeyer é um sábio da arquitetura, aquele edifício e suas linhas são uma obra prima em si, sem os quadros de Portinari já são um show à parte. Com os quadros vale realmente como uma turnê!

Trata-se da exibição Guerra e Paz, quadros imensos que estavam expostos na sede da ONU em Nova York, acrescentados os ensaios feitos para a elaboração da obra encomendada especialmente para a inauguração da sede, marcando o fim da Segunda Guerra Mundial, lá eu descobri um fato interessante que mostra a face real de projetos humanitários como essa “Organização de Nações Unidas”.

Após visitar e estudar os traços de Portinari rumo a perfeição, antes mesmo de ver a obra completa e de pasmar frente a sua dimensão, assisti ao vídeo que conta a história do pintor, sua relação com o que fazia, seu posterior óbito por intoxicação devido ao chumbo das tintas, e o mais triste ele não pode estar presente na inauguração de seus painéis na celebrada inauguração por ser comunista, nem ele nem um dos arquitetos responsáveis pelo edifício da ONU, Oscar Niemeyer.

Ele morreu por sua arte e sequer recebeu os louros em vida. Recentemente seu filho único João Cândido Portinari viu a oportunidade de homenagear postumamente o pai e reuniu painéis nunca antes expostos, além de aproveitar a reforma do local original dos painéis Guerra e Paz, para trazê-los ao Brasil, onde seu pai certamente seria reconhecido.
Curiosamente, me identifiquei mais com o painel Guerra, por suas cores vibrantes e o cavalo negro, apesar de todo sofrimento ilustrado (ou talvez por isso mesmo) Guerra pareceu-me mais atraente, identifiquei-me com o retrato. Paz tem suas nuances claras, seu contexto é de dança e brincadeiras, isso para mim não é paz, é ilusão.   

Parece que o sofrimento é uma matéria prima mais fértil para os artistas do que a alegria, embora os painéis tenham dimensões semelhantes (Guerra é maior – veja aqui) os traços e a beleza de um sobressaem a do outro. Talvez Portinari soubesse que o destino da Paz que ele pintava não correspondia a paz que ele sonhava.  

Graças a Deus João Cândido conseguiu trazer essa exposição para o Brasil, para São Paulo a princípio, mesmo com a resistência dos americanos que queriam convencê-lo de que os painéis estavam fixos na parede, contradizendo os vídeos da montagem na época. E Graças a Deus também,  eu pude assistir! 

Dedico aos meus leitores a galeria de fotos que consegui no próximo post.

   


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