terça-feira, 14 de setembro de 2010

Desafiando Gigantes


Este filme aborda através de uma temática simples – as estratégias de um técnico de futebol para levar seu time a êxito num campeonato – várias técnicas de aprimoramento pessoal que automaticamente se refletem nas atividades profissionais de um indivíduo, e que termina por influenciar uma equipe toda. 

Através de um paralelo entre as dificuldades conjugais e profissionais do técnico Grant Taylor (Alex Kendrick), podemos observar uma série de comportamentos que tendem a nos depreciar ou motivar diante de nossos objetivos, desde que estes estejam claramente traçados. Taylor, em sua vida pessoal com a esposa Brooke Taylor (Shannen Fields), sofria com problemas de infertilidade, após tentarem uma gravidez por quatro anos, e fazerem exames para diagnosticar um possível problema, Taylor descobre que o problema era consigo.

Taylor e Brooke
Somado a isto, sua casa também não estava em boas condições, com o fogão quebrado, o aquecedor, o secador de roupas, o carro... Sua vida estava um caos total! E este estado das coisas refletia-se em sua carreira profissional, como técnico de futebol americano de uma escola. Em uma temporada de seis anos, Grant Taylor não conseguia levar seu time, o Shiloh Eagles a uma temporada de vitórias.

Sua postura diante da vida, cada vez mais se sentindo abatido pelos reveses da vida, ia impondo-lhe o estereótipo de derrotado, incompetente, provocando entre a direção da escola a discussão sobre sua possível demissão. Ao ouvir a conversa entre os diretores da escola e administradores do time sobre a demissão, e considerando que os tratamentos de fertilidade são caros, Taylor pensa em desistir de ter um filho, e desistir do time.

É quando entra a personagem que representa sua tomada de consciência de que os fatos falam mais do que as opiniões alheias, de quem não tem em si mesmo as habilidades que ele comporta. Na pessoa de um pastor que lhe apresenta a Bíblia, e através dos versículos que motivaram gerações, Grant Taylor recebe uma inspiração para traçar diretrizes mais sustentáveis para sua vida, como homem e como técnico.

Larry Childers
Existem duas personagens coadjuvantes que enviam mensagens que, junto às experiências de Taylor, formam uma rede de informações e lições. Elas são: Larry Childers (Steve Williams), e seu filho David Childers (Bailey Cave). O último é um jogador de futebol de campo que pretendia entrar no time de futebol americano da escola, mas não acreditava em seu potencial para atingir seu objetivo, seu pai, um homem com deficiência nas pernas, mas plenamente otimista, através de sua sabedoria anciã incentiva seu filho a batalhar pelo seu ideal. Com frase do tipo: “você já está fora do time, então não tem nada a perder”. Ou seja, se David fizesse o teste para entrar e não passasse nada mudaria em sua vida. Já se ele passasse, então seria membro do time!

David Childers
Ao dizer ao filho coisas como “não tenha medo de falhar” ou “suas ações seguem suas crenças” aos poucos foi melhorando a autoestima de seu filho, que enfim fez o teste e ingressa no Shiloh Eagles. De fato David, tal como Taylor, tinha dificuldades em ajustar seu potencial com suas crenças sobre si próprio, e isso acarretava uma série de dificuldades em campo. A princípio Taylor não conseguia manter a disciplina de seus atletas, que eram maus alunos, e perdiam treinos porque cumpriam castigo na detenção da escola. Isto prejudicava a qualidade do time, O Eagles era um time sem diretrizes até o “encontro do técnico com Jesus”.

A Bíblia passou a ser usada como filosofia de vida e do time, porém sem o fanatismo que costuma vir junto com ações desse tipo. Sua fé passou a ser a força motivadora que promoveu as mudanças necessárias para que seu trabalho junto com os jovens atletas do Eagles surtisse efeito positivo; os garotos passaram a estudar a Bíblia junto ao técnico, certamente com algumas resistências, porém com eficácia.

Grant Taylor definiu que o objetivo do time não era apenas jogar por dinheiro, vitórias, bolsas de estudos ou troféus que ficam empoeirados. Mas o importante era darem o melhor de si nos jogos, porque esta era a vocação que Deus dera àqueles garotos, e assim eles fariam, para glória de Deus, os resultados acima citados, seriam conseqüência e não o objetivo principal.





O roteiro gira em torno do fator motivação. A concentração no trabalho em equipe contagia a todos, o comportamento em campo repercute na disciplina dos alunos em sala, melhorando seus desempenhos individuais. A partir deste ponto surgem as recompensas, ao incentivar um aluno a fazer as pazes com o pai, baseado na Bíblia, Taylor recebe como presente um carro novo do pai do garoto; também recebe um aumento de salário, e aprende a superar melhor uma derrota sem se abater. Adquire autoconfiança.





David, inspirado pelo clima do time, também, compreende que sua crença, como seu pai dizia, era o que o limitava e não sua falta de capacidade. Com muito treino, e consciência na hora do chute, para não deixar-se invadir pelo seu pensamento dominante de que não iria conseguir antes mesmo de chutar, David deixa de sentir-se o garoto frágil, e vai junto com o time para a final do campeonato contra o tradicional time de vitoriosos: Os Gigantes (The Giants).


Os Gigantes


Aqui entra um ponto de vista empresarial interessante: A tradição x A variação de mercado. Os Gigantes tinham a qualidade adquirida pelas suas vitórias, porém eram extremamente previsíveis! O Shiloh Eagles por sua vez, era novidade sob aquela nova filosofia. Só o fato de eles estarem na final já era surpreendente, e o tornava imprevisível.



Ao treinar a resistência de seus defensores – como é demonstrado na cena em que Bobby Lee Duke (Jim McBride) atravessa a quadra inteira, apoiado nas próprias mãos e nas pontas dos pés, e com um colega de 68 kg nas costas! – e os chutes de David, Taylor definiu a estratégia vital de seu time.

Bobby Lee em treinamento
Ao subestimar a eficiência de defesa do Eagles, os Gigantes partem para o ataque, e são blindados por quatro excelentes defesas de Bobby e os demais, e para virar o placar de uma vez, Taylor dá o voto de confiança a David, que necessitava chutar a uma distância de 50 jardas, seu pai Larry Childers, para motivá-lo ainda mais se levanta da cadeira de rodas, pendura-se nas traves verticalmente. Então, ao chutar David garante ao Shiloh Eagles a vitória com a diferença de um único ponto! Para a glória de Deus.

Enfim, o filme não fala diretamente sobre religião embora tenha sido produzido pela Igreja Batista, em Albany, Nova York, e dirigida por um membro da mesma, Alex Kendrix – que também interpreta o personagem principal. Substituindo a filosofia cristã, mas mantendo as diretrizes estratégicas de trabalho em equipe, cooperação, atenção, e tomada de decisões com autoconfiança, o resultado tende a ser o mesmo.

É um filme que nos atinge tanto emocionalmente como racionalmente, embora os críticos cinematográficos não tenham dado valor ao filme (demasiado simples e barato para receber aplausos da crítica), é fácil compreender certas dinâmicas empresariais dentro de um contexto como o campeonato de futebol, demonstrado pelo filme. Foi um excelente investimento da Sony Pictures.



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